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Depressão e sua associação com doenças cardíacas

Por Jornal Santuário

O coração humano está associado a duas grandes funções: sendo uma concreta, na qual o coração bombeia o sangue pelo corpo e, a segunda, mais simbólica, de armazenar sentimentos. Independentemente de qual seja a fonte dos sentimentos e emoções, é indiscutível a relação entre corpo e mente, e, consequentemente, entre o humor e as doenças cardiovasculares.

A depressão é a principal doença psiquiátrica associada à prevenção, ao desenvolvimento e tratamento das doenças cardíacas. Pesquisas demonstram que a depressão é um importante fator de risco para a doença cardíaca: haja vista que esta população tem duas vezes mais risco de desenvolver alguma doença coronariana, como, por exemplo, o infarto.

Mudanças no estilo de vida fazem parte do tratamento de
qualquer doença crônica

Além de influenciar no desenvolvimento de cardiopatias, a depressão também piora o prognóstico desses pacientes: torna o tratamento mais complexo, o risco de novos eventos cardiovasculares maior, afeta globalmente o tratamento do paciente, reduz a qualidade de vida, impacta as atividades de vida diária, e aumenta o risco de mortalidade.

A ansiedade e a depressão, apesar de serem muitas vezes consideradas como alterações apenas mentais, causam consequências orgânicas por meio de alterações hormonais e químicas no corpo. Estes mecanismos fisiológicos podem ser o diferencial entre um paciente seguir ou não um tratamento corretamente.

Mudanças no estilo de vida fazem parte do tratamento de qualquer doença crônica, inclusive das doenças cardíacas, sendo essenciais para o sucesso deste tratamento. Nesse sentido estão inclusas mudanças na alimentação, nas atividades físicas, no trabalho, na rotina, entre outras.

Um estudo, realizado no Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto, demonstrou que 39% dos pacientes cardiopatas apresentaram sintomas importantes de depressão como: tristeza excessiva, falta de energia, apatia, alterações do apetite, alterações do sono e perda de interesse por atividades antes prazerosas.

Sabe-se, no entanto, que a depressão pode e deve ser tratada, e que o tratamento adequado traz uma melhora importante na qualidade de vida das pessoas, podendo levar à melhora total dos sintomas, e, quando se trata de cardiopatas, isso implica melhora do prognóstico a longo prazo, além de uma melhora geral no bem-estar.

Por isso, é essencial que todos façam acompanhamento regular com um médico clínico para a prevenção tanto das doenças cardiovasculares como da depressão. Lembrando que, sempre que identificado algum sintoma de depressão ou alteração importante do humor, é essencial procurar por auxílio médico e psicológico.

Um texto de: Giulia Favetta- Psicóloga do Departamento de Psicologia da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo (SOCESP)

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