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“Melhor não tomar esse remédio!”

Não sei se você já leu outros textos que escrevo, mas tenho me preocupado em passar para você informações a respeito de coisas que vejo em meu dia-a-dia de atendimento e essa eu não posso deixar passar.

Quase semanalmente eu atendo alguém que foi ao médico, recebeu uma receita e não tomou a medicação porque o atendente da farmácia, a vizinha ou a colega de grupo de Facebook, whatsapp ou o que for disse: “Menina, esse remédio aí minha cunhada já tomou e passou muito mal, toma não!”, “olha, se eu fosse você não tomava, esses médicos passam remédio para qualquer coisa! Toma esse aqui que é melhor!”. remedio

Sem dúvida, grupos virtuais ou presenciais de apoio podem ser de grande ajuda terapêutica, mas algumas coisas podem acontecer ali dentro que não são nada saudáveis (depois falo sobre o que já vi). O que torna um problema são as pessoas dando opiniões embasadas no Dr. Google sem filtro ou em experiências pessoais bem e mal sucedidas com algum medicamento ou procedimento, deixando de levar em conta a individualidade e especificidade de cada caso.

Esta semana um paciente me contou que estava com dores nas costas no trabalho, foi ao ambulatório da empresa e o médico prescreveu Profenid. Até aí tudo bem. Voltou para sua estação de trabalho e sua colega do lado disse: “Rum, melhor não tomar este remédio, não vai resolver nada! Toma esse aqui, que resolve tudo, muito melhor!”. Adivinha qual era o remédio? Cefalexina 500mg, um antibiótico! Ou seja, na-da a ver!! Adivinha o que ela fez?  Tomou!

Certo dia prescrevi Lamotrigina a uma paciente, expliquei o motivo de estar prescrevendo e, mesmo assim, ao chegar na farmácia a pessoa que a atendeu perguntou se ela era epilética. Obviamente ela disse que não e perguntou o porquê da pergunta. O atendente (cuja qualificação profissional desconheço, então não pode-se acusar o farmacêutico), falou que aquilo era remédio para epilepsia, melhor ela não tomar já que não tinha, pois ia dar problemas no cérebro. Lamotrigina é sim antiepilético, mas a utilizamos na psiquiatria por suas propriedades como estabilizador de humor. Ou seja, tinha indicação precisa para a paciente em questão (que aliás, ficou ótima depois de me contar essa história e tomar seu remédio conforme orientado).


duvida cachorroPortanto, a melhor orientação que quero deixar é: alguém lhe gerou dúvida sobre o remédio que lhe foi prescrito e você ficou com medo, acha agora que há algo errado? Entre em contato com o médico que lhe prescreveu ou algum outro do seu acesso e tire essa angústia do coração! Mas não siga orientações de pessoas que não possuem qualificação e experiência para isso. Isso é amor próprio, isso é cuidar de si mesmo.

Um abraço!

Dra. Anna Luyza Aguiar

Médica Psiquiatra

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