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A família e o paciente com depressão

Vivemos em um tempo que as pessoas querem uma pílula para tudo, inclusive uma mágica para resolver todos os problemas.

Depois da Fluoxetina, direta e indiretamente muitas pessoas procuram a solução de suas vidas na tal pílula da felicidade. Apesar do benefício enorme de medicações antidepressivas e tranquilizantes, a medicalização exagerada dos pacientes tem dado a muita gente a impressão que naquele comprimido está a solução da sua ansiedade ou da depressão.

É preciso que o paciente entenda que o medicamento é um complemento do tratamento para ajudá-lo a elaborar melhor questões internas que o fizeram deprimir (isso para casos não orgânicos). Alguns casos de depressão ou transtornos de ansiedade leves nem precisam de medicamento, a psicoterapia e o exercício físico funcionam muito bem!

Mas existe o outro lado não menos importante…

Alguns familiares de pacientes com depressão ainda não compreenderam que trata-se de uma doença de verdade e não de algo que vem da própria vontade do paciente. Certa vez uma paciente entrou em meu consultório para atendimento clínico e perguntou se era verdade que depressão era doença mesmo ou era “só frescura” da sua nora, que tomava 3 remédios psiquiátricos e passava o dia deitava. Ela disse: “Para mim isso é preguiça mesmo de lavar as louças e cuidar da casa, Dra.!”.

Bom, essa paciente tinha 70 anos, linda, bem humorada, porém realmente não sabia o que dizia e teve a humildade de perguntar. Algumas pessoas seguem com esse pensamento e resistem em admitir não somente a doença de pessoas próximas, mas também a própria. Isso dificulta para o médico e psicólogos que acompanham o paciente, pois deixam de ser aliados no tratamento e passam a ser mais um bloco de resistência.

É nítida a diferença na progressão do paciente quando a família atua junto coma equipe de saúde mental. Mas como você pode ajudar?

– Fazendo a pessoa perceber que você compreende a doença;

– Não usar palavras ou frases que desvalorizam o paciente como “Levante-se, deixe de frescura!”

– Conversar com a pessoa sobre como você pode ajudá-la;

– Participando das reuniões que o médico convocar, caso necessário (se você for o familiar responsável).

– Dar liberdade para a pessoa falar sobre suas questões;

– Não separar a pessoa do que ela já foi, como se ela não fosse o que ela sempre foi;

É importantíssimo a participação da família no tratamento do paciente psiquiátrico, seja qual for o diagnóstico. É preciso estar junto de verdade.

Tem um texto interessante no blog Claudia Madu chamado “Depressão é frescura” que diz o que não falar para um paciente deprimido. Vai ser interessante caso tenha interesse em ver mais um pouco.

Anna Luyza Aguiar- Médica Psiquiatra

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