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O sofrimento quando você se anula

Atender várias pessoas todos os dias nos faz parar para pensar no sofrimento que vemos repetir-se na vida das pessoas. Uma das “fosforilações” (sempre chamo assim quando fico pensando muito) dessa semana tem sido sobre quando você dá a gestão de sua vida para os outros e anula-se.

Tenho muitos pacientes que entram no consultório e começam falar de seus maridos, esposas, filhos, patrões, trabalho, parentes, agregados… Depois de 20 minutos, percebendo que toda a família chegou na consulta, menos ele, pergunto:

– “E você?”

– “Como assim?”

– “Sim, você, sua vida, seus dias, o que sente…”

Depois disso, tenho dois tipos de respostas:

“Poxa, realmente, acho que esqueci de mim né?!” ou “A minha vida? Bom, é isso, vai indo.”  (vai saber para onde!)

O fato é que muitas pessoas não conseguem perceber que anularam-se quando deram a posse de suas vidas a outras pessoas e esqueceram que amar a família, o trabalho ou o que for, está longe de significar anular-se para qualquer um deles.  Assumir papéis que não são seus e trazer para si responsabilidades que são dos outros, dão a qualquer pessoa uma vida com um peso maior que a vida já tem por si mesma, gerando um sofrimento inevitável..

É preciso tentar olhar de cima, como se visse sua vida em um tabuleiro de xadrez, no qual algumas mexidas podem exigir planejamento e tempo. No entanto, quando essas jogadas são feitas elas mudam todo o resultado do jogo. O entendimento de que você é dono da própria vida é libertador. Sim, LI BER TA DOR!

Será que o motivo que o mantém no seu atual esquema de vida é real ou é a história que você se conta para legitimar tudo isso? Somos experts nisso, em nos contar historinhas que nos convencem de que nossa vida está sem sofrimento algum para não precisar mexer no que incomoda intimamente. Afinal, assumir determinada disfunção em nossa vida vai nos exigir tomada de decisão e nem todo mundo tem determinação e discernimento de si mesmo para mudar completamente uma situação adoecedora crônica ou aguda.

Ser verdadeiro consigo mesmo pode ser o diferencial entre alguém que não quer arrastar uma história regida pela vontade dos outros, seja esse outro sua família ou a sociedade, e alguém que toma as rédeas de si e conta-se sua história real. Apropriar-se da sua vida fará a diferença entre a vida abundante e a vida medíocre de sofrimento latente.

Anna Luyza Aguiar- Médica Psiquiatra

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