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Você é quem pensa que é para sua família?

As famílias estão tão disfuncionais que seus integrantes perderam o parâmetro do que significa respeito. Percebo que algumas pessoas se sentem desrespeitadas apenas quando algo muito grave acontecem, e não percebem o quanto vão sendo engolidas por sistemas familiares adoecidos.

Muitas vezes a mistura e inversão de papéis dentro da família faz com que não se saiba mais quem é filho, pai, mãe ou irmãos. Isso vale para qualquer modelo de família. Alguns pais, com o entendimento de que  a provisão de comida, educação e vestimenta dentro de casa fazem deles os melhores pais e por tanto dignos de serem respeitados por conta disso. No entanto, colocar um filho no mundo já exige que essas necessidades básicas devam ser atendidas, não há mérito na obrigação, o mérito está no que vai além. Repito, não há mérito em fazer aquilo que já se espera que seja feito!inversão de valores

Alguns de vocês podem pensar “mas alguns nem isso fazem” e esse já é o pensamento nivelado pelo mínimo, pelos irresponsáveis que não têm capacidade de cumprir o papel de provedor que até um animal irracional faz até seu filho conseguir ter idade para seguir sozinho. Estou aqui me referindo àqueles que não percebem que o papel dos pais vai muito além de alimentar, vestir e pagar colégio.

Ninguém nasce com um título que lhe dá o direito de ser respeitado simplesmente por isso. Ser pai e ser mãe é simplesmente ter um filho, mas ser respeitado pelo seu filho(a) exige que você conquiste isso pela maneira como vive e como você dá suporte emocional para eles a medida que crescem.

Sabe aquela frase “me respeite que sou sua mãe!” Ou “me respeite que sou seu pai!”, não significa nada. Se um pai ou mãe precisa dizer isso, as coisas já degringolaram há muito tempo e ninguém quer ver. Será que esse filho também tem sido respeitado? Será que em sua família as coisas são explicitamente ou implicitamente impostas sem respeitar o que todos pensam a respeito? Você já se perguntou?

Em algumas relações de mãe e filho (a) não dá para saber quem é quem em seus devidos papéis. São mães que se comportam como filhos, filhos que se comportam como pais, irmãos que não sabem se são exatamente irmãos. Quando não há figuras de referência em casa, quando a família vive o “faça o que eu digo e não o que eu faço”, para onde vai caminhar a moralidade dentro deste sistema? Para onde esses filhos vão olhar?

mae e filhaHoje ouvi de uma paciente que o seu pai é a figura mais íntegra que conhece e que ele é a sua referência de decência como homem e cidadão. É disso que estou falando, de papel bem definido, de referência emocional. Em outro caso, no mesmo dia, pergunto a uma paciente se ela contou sobre seu problema para sua mãe e ela diz “imagina, se ela souber disso vai gritar, chorar e dizer que está passando mal!”. Quem é filha e quem é mãe no último exemplo? A garota tem 18 anos.

Para que cada um cumpra seu papel precisa se comportar e ser aquilo que deve ser e respeitar o outro dentro da sua individualidade, que inclui sua necessidade de ser quem é e ter seu próprio espaço, seja você pai, filho ou irmão, independente da idade que tenha.

Sim, toda família tem problemas, a questão principal não é saber disso, mas acima de tudo, deixar de negá-los e não se acovardar em resolvê-los.

Anna Luyza Aguiar- Médica Psiquiatra

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